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Entidades das Giras:
Povo de
Rua
EXU
E POMBO GIRA
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EXUS
GUARDIÕES
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EXUS AMPARADORES
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OBRIGADO, AMIGO EXU!
DUAS
LENDAS DE EXU
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MARIA
MULAMBO DA ESTRADA
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A LINHA DE EXUS
EXU E POMBO GIRA
EXU:
DIA DA SEMANA:
segunda-feira;
CORES:
preto, vermelho, branco; SÍMBOLO: tridente; ELEMENTO:
fogo;
PLANTAS:
pimenta, capim tiririca, urtiga. Arruda, salsa, hortelã;
FLOR: cravos vermelhos;
METAL:
bronze, ferro bruto (minério), terra; BEBIDAS:
cachaça e batida de mel para Exu; anis e champanhe para Pombo-gira;
SINCRETISMO:
Santo Antonio (13.6) e
São Benedito (5.10);
GUIA: contas
pretas e vermelhas intercaladas ou não; outras formas e cores;
DOMÍNIOS: encruzilhadas,
portas, cemitérios;
O QUE FAZ: vigia as passagens,
abre e fecha os caminhos. Por isso ajuda a resolver problemas da vida
fora de casa e a encontrar
caminhos para progredir, além de proteger contra perigos e inimigos;
QUEM É:
mensageiro dos mortais para os Orixás, senhor da vitalidade;
CARACTERÍSTICAS:
apaixonado, esperto, criativo, persistente, impulsivo, brincalhão;
SAUDAÇÃO:
laroriê, Exu! RISCOS DE SAÚDE:
dores de
cabeça relacionadas a problemas de fígado;
PRESENTES PREDILETOS: dinheiro, velas,
suas comidas e bebidas preferidas, charutos (Exu) ou cigarros (Pombo-gira);
POMBO GIRA:
Pombo gira:
(de Bombogira, nome
de Exu em Angola) É o nome dado aos Exus femininos. Na Umbanda,
existem muitos Exus e
Pombos giras que governam lugares diferentes e auxiliam os vários
Orixás;
CORES: preto, vermelho,
outras; GUIA: contas pretas e vermelhas
intercaladas ou não; outras formas e cores;
FLOR: rosas vermelhas; SAUDAÇÃO:
laroiê, Pombo Gira!
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EXUS
GUARDIÕES E SUA BANDA NA UMBANDA
Nos rituais da Umbanda, existe um
poderoso integrante, que por muito tempo foi aclamado como o
"demônio", "satanás" e
coisas desse tipo. Mas que ao contrario disso,
são entidades de grande sabedoria. São eles os Exus, nossos amigos,
sendo
considerados as entidades mais próximas do ser encarnado, eles
nos ajudam em todas as horas e merecem nosso respeito.
Mensageiros dos Orixás maiores, os Exus são a porta para conseguir
tudo o que for preciso. Donos das portas e tronqueiras
eles podem
fechar ou abrir nossos caminhos, e o caminho das Quimbas (entidades do
lado Negro, espíritos obsessores).
São os Exus que nos defendem dessas entidades de vibração tão baixa.
Dentro das linhas da Umbanda, cada Orixá Menor
possui um respectivo
Exu, como segue:
1) Na linha de
Oxalá
Caboclo Urubatão - Exu 7 Encruzilhadas
Caboclo Ubirajara - Exu 7 Ventanias
Caboclo Ubiratan - Exu 7 Pembas
Caboclo Aimoré - Exu 7 Chaves
Caboclo Guaracy - Exu 7 Poeiras
Caboclo Guarany - Exu 7 Capas
Caboclo Tupy - Exu 7 Cruzes
2)
Na linha de Iemanjá
Cabocla Iara - Exu Pombo Gira
Cabocla Indaiá - Exu Nangue
Cabocla Nana Burucum - Exu Gerere
Cabocla Estrela do Mar - Exu Carangola
Cabocla Oxum - Exu do mar
Cabocla Iansã - Exu Mare
Cabocla Sereia do mar - Exu Macangira
3) Na
linha de Ogum
Ogum de Lei - Exu tranca rua
Ogum Iara - Exu Tranca Gira
Ogum Beira Mar - Exu Tira toco
Ogum Matinata - Exu Tira teima
Ogum Megê - Exu Limpa trilhos
Ogum Rompe Mato - Exu Veludo
Ogum Malê - Exu Porteira
4) Na linha de Xangô
Xangô Kao - Exu Giramundo
Xangô Agodô - Exu Pedreira
Xangô 7 Montanhas - Exu Corcunda
Xangô 7 Pedreiras - Exu Ventania
Xangô Pedra Preta - Exu da Meia Noite
Xangô Pedra Branca - Exu Mangueira
Xangô 7 Cachoeira - Exu Calunga
5) Na linha de Oxossi
Caboclo Arranca Toco - Exu Marabô
Caboclo Pena Branca - Exu das Matas
Caboclo Arruda - Exu Campina
Caboclo Cobra Coral - Exu Capa Preta
Caboclo Araribóia - Exu Pemba
Caboclo Guiné - Exu Lonan
Cabocla Jurema - Exu Bauru
6) Na Linha de Yori
Tupanzinho - Exu Tiriri
Ori - Exu Toquinho
Yariri - Exu Mirim
Doum - Exu Lalu
Yari - Exu Ganga
Damião - Exu Manguinho
Cosme - Exu Veludinho da Meia Noite
7) Na Linha de Yorimá
Pai Guiné - Exu Pinga Fogo
Pai Arruda - Exu Brasa
Pai Tome - Exu Come Fogo
Pai Benedito - Exu Alebá
Pai Joaquim - Exu Bara
Pai Congo de Arruda - Exu do Lodo
Mãe Maria Conga - Exu Caveira
O dia preferencial para Exu é
segunda-feira, suas cores são vermelho e preto, gostam de Pinga,
Marafo e outras bebidas fortes.
Exu caveira é considerado um dos principais integrantes das Linhas
de Exu. Conheça um pouco mais desta magnífica entidade.
Características do Exu Caveira:
Tem o Exu Caveira, em especial, o poder de ajudar a toda e
qualquer espécie de especulação,
ensinando-nos todas as artimanhas
da guerra e do modo de vencermos os nossos inimigos. É
encarregado de vigiar os cemitérios e
os lugares onde houver
pessoas enterradas. Sua força é de modo a incutir medo aos que o
invocam e, de um modo geral, todo
trabalho ou despacho a ser feito
num cemitério tem de ter a participação do Exu Caveira. A ele,
por sinal, bem se poderá dar o título
de lugar-tenente de Omulu e
sem a sua participação, nenhum trabalho ou despacho feito no
cemitério dará resultado. Tanto que,
para se entregar, seja o que
for, a Omulu, no Cruzeiro de um cemitério, é necessário e
indispensável que, antes de o fazer, que se
salve Exu Caveira e,
para isto, proceda-se da seguinte maneira: acende-se uma vela na
sepultura que estiver mais perto
do Cruzeiro,
à esquerda. Em seguida, oferece-se a ele a vela, em
sua homenagem, pedindo-lhe licença para entrega.
Apresentação do Exu Caveira:
Apresenta-se, em geral, com a forma de uma caveira, daí o seu
nome. Não tem a hora certa
para se apresentar, podendo fazê-lo
quando menos se esperar, seja de dia ou de noite. Na maioria das
vezes, no entanto,
apresenta-se depois da hora grande, ou seja,
meia-noite.
O Exu Caveira transmite as ordens recebidas para os seguintes
Exus:
Exu Tata Caveira: Exu
provocador do sono da morte e manipulador de todas drogas e
entorpecentes. Apresenta-se como uma caveira e
vestido de preto.
Exu Brasa: É o provocador de
incêndios. Domina o reino do fogo. Concede aos que praticam
magia negra o dom de andar sobre o
fogo.
Exu Pemba: É especializado
na propagação de moléstias venéreas e também favorecer todas as
espécies de amores clandestinos.
Apresenta-se como um mago.
Exu Maré: É o Exu
especializado em facilitar a invisibilidade das pessoas,
dando-lhes poderes de se transportar de um lugar para outro.
Sua
apresentação é a de uma criatura normal.
Exu Carangola: Sua
especialidade é fazer com que as pessoas fiquem perturbadas e dêem
gargalhadas histéricas, dançando sem ter
vontade; comanda o ritmo
cabalístico da dança.
Exu Arranca-Toco: Habita as
matas. É especializado no domínio de tesouros.
Exu Pagão: É especializado
na separação de casais. Tem poder de incutir ódio e ciúme nos
corações humanos.
Características do Exu da Meia-Noite:
O Exu da Meia-Noite é um dos mais invocados, porquanto é o
encarregado de escrever toda a sorte
de caracteres e tratar,
especialmente, das forças ocultas. Segundo a crença popular, foi
ele quem ensinou a Cipriano todas as espécies
de sortes e mágicas
que fazia. À meia-noite o Exu da Meia-Noite faz a ronda do mundo
físico, sendo por isso que, em geral, deixa-se
passar, pelo menos,
uns cinco minutos da meia-noite para se sair à rua ou para se
deixar um Terreiro. Isto, porém, na Umbanda, pois
na Quimbanda é
exatamente à meia-noite que se fazem os despachos destinados ao
Exu da Meia-Noite.
O Exu da Meia Noite transmite as ordens recebidas para os
seguintes Exus:
Exu Mirim: Este Exu possui
grande influência sobre as mulheres e crianças, sendo preferido
pelas Mãe de Santo, para os trabalhos de
amarração. Apresenta-se
com roupagem de criança.
Exu Pimenta: É o Exu
especializado na elaboração da química e de todos os filtros de
amor. Dá o verdadeiro segredo do pó que
transforma metais. É
reconhecido quando incorpora por um forte cheiro de pimenta que
exala.
Exu Malé: Este Exu tem o
poder das artes mágicas e das bruxarias que se realizam nos
Candomblés. Apresenta-se com a forma de um
Preto Velho. Mas é
reconhecido pelo forte cheiro de enxofre que exala.
Exu das Sete Montanhas: É o
Exu que tem o domínio sobre as águas dos rios e das cachoeiras que
saem das montanhas. Sua
roupagem é da cor do lodo e deixa no ar,
quando incorporado, um forte cheiro de podre, emanado do seu corpo
fluídico.
Exu Ganga: Este exerce
domínio sobre os despachos que se fazem nos cemitérios, tanto nos
casos em que o trabalho é feito para o
negativo como nos casos em
que é para salvar alguém da morte. Apresenta-se vestido de preto
e cinza, deixando no ar forte cheiro
de carne em decomposição.
Exu Caminaloá: Este Exu
trabalha ao lado do Exu Mangueira, e é um dos seis mais poderosos
Exus da Quimbanda, ou melhor, do Povo
de Exu. Apresenta-se
comandando uma poderosa equipe de espíritos com a forma de Pretos,
ornados de penas na cabeça e na
cintura com argolas nos lábios,
nas orelhas e nos braços. São esses espíritos, os especializados
em provocar doenças mentais, até
mesmo a loucura. O Exu Caminaloá
é o Chefe da Linha de Mossurubi da Quimbanda.
Exu Quirombô: Este Exu tem
atuação idêntica à do Exu Mirim. No entanto, é especializado em
prejudicar "mocinhas", desviando-as para
o mau caminho. Apresenta-se, também, como uma criança.
Os EXUS, possibilitando a manifestação
dos conteúdos reprimidos do seu aparelho, acabam sendo confundidos com
o próprio
manifestante e os seus traumas.
Afastando os excessos do médium e
desbloqueando seus médiuns, observamos nas próprias Entidades Exus,
incorporados ou não,
as seguintes características:
- São exigentes quanto ao preparo do filho de fé (moral, físico,
espiritual e ritual);
- São exigentes quanto à limpeza e ordem, tanto dos seus objetos
quanto do ambiente;
- Tem palavra e a honram;
- Buscam evoluir;
- Por sua função Kármica de Guardião, sofrem com os constantes choques
energéticos a que estão expostos;
- Revoltam-se com aqueles que atrasam a sua evolução;
- Estas Entidades mostram-se sempre justas, dificilmente demonstrando
emotividade, dando-nos a impressão de serem mais "Duras"
que as da
Direita;
- São caridosas e trabalham nas suas consultas, mais com os assuntos
Terra a Terra;
- Sempre estão nos lugares mais perigosos para a Alma Humana;
- Quando não estão em missão ou em trabalhos, demonstram o imenso Amor
e Compaixão que sentem pelos encarnados e
descarnados;
- Dada a natureza da sua Missão, são realmente Entidades perigosas,
mal comparando com a eletricidade, que ilumina e aquece, mas
que
também fulmina. Nós trabalhamos com Elas sempre sob o controle da
Direita, para o próprio benefício delas e também do nosso;
- Muitas destas Entidades, após terem conquistado grande LUZ e PODER,
tornaram a cair e a levantar-se;
- Quanto às suas vestimentas, formas corpóreas e maneiras de falar
assumidas no Terreiro, saiba que são apropriadas à nossa
compreensão e
também para a dos visitantes do mundo Astral mais baixo. Eles a
assumem para melhor poder cumprir o seu papel.
Na realidade, são
belos e realmente possuem forte magnetismo pessoal. Eles nos impõem
respeito apenas pela presença. Onde
realmente estão, impõem também o
respeito à LEI DIVINA, da qual não se afastam.
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UM
ESCLARECIMENTO ESPIRITUAL DOS EXÚS-AMPARADORES
Ainda agora, enquanto eu preparava o material
para a 1ª
aula do curso de Orientalismo e
Espiritualidade (com ênfase
nos ensinamentos dos Upanishads) que iniciarei
daqui a
pouco no IPPB para cerca de 235
pessoas, percebi uma
certa manifestação energética por
fora do meu apartamento.
Fechei os olhos e concentrei-me para
verificar o que era. Pulsei
luz no meu chacra frontal e
nas mãos
enquanto erguia os pensamentos e
sentimentos ao Supremo
Amor para sintonizar a consciência com as
energias
elevadas.
Fora do apartamento
(moro
no quinto andar), em pleno ar, surgiu uma fenda escura. Eu
sabia que era uma passagem
interdimensional para o plano extrafísico.
Do outro lado da mesma muito embora e
não pudesse vê-los diretamente,estava um grupo de exús que trabalham
nos
ambientes pesados do Astral, desmanchando as porcarias que os
encarnados encomendam aos seus asseclas desencarnados que
patrocinam
certos processos de magia trevosa.
Eles operam em climas pesadíssimos e
são craques em dissolver
as energias
pesadas emanadas pelo
ódio.
Costumam trabalhar associados as
egrégoras afro-brasileiras,
principalmente na Umbanda. São espíritos que
não costumam aparecer
ostensivamente e não são dados a floreios espirituais.
Costumam ser bem diretos e
falam na cara o que for
preciso, sem qualquer dose de concessão ao ego de quem os
escuta.
Dentro de sua maneira direta de agir, eles
não suportam pessoas
hipócritas e nem espiritualistas que
complicam o serviço
com
os seus problemas
corriqueiros.
Também não gostam de pessoas que trabalham sem honra no caminho e
apenas
voltadas para a resolução de suas problemáticas infantis.
Apesar de aparentarem um jeitão meio agressivo (quem os critica não
trabalha com a energias pesadas que eles tem que
aturar a toda hora e
nem tem metade da raça desses amigos que operam no Umbral e que tanto
ajudam a humanidade sem
receberem o mínimo reconhecimento), respeitam
muito a que trabalha verdadeiramente voltado para a Espiritualidade
Superior.
Em muitas ocasiões de minha vida fui ajudado por esses exús
e outras entidades ligadas às atmosferas psíquicas afro-brasileiras.
Por diversas vezes, principalmente em projeções da consciência com
resgates extrafísicos dificílimos, esse pessoal me ajudou e
protegeu,
sempre de forma limpa e sem me cobrar coisa alguma. Alguns desses
grupos extrafísicos trabalham ligados a diversos
mestres espirituais
que ajudam invisivelmente a humanidade. Servem nos planos densos sob
o comando secreto dos mentores que
patrocinam o esclarecimento
espiritual planetário.
São eles que seguram as barras pesadas nos ambientes crosta-a-crosta e
nos planos extrafísicos densos (umbralinos). São
eles os amparadores
que descem as furnas malignas para enfrentar o mal que se esconde do
olhar dos homens sem fé e sem
coragem.
Sim, são eles que se revestem de coragem e partem para os combates com
os agentes extrafísicos patrocinadores e
exploradores das trevas
humanas que se escondem aos olhos dos homens, mas que são observadas
por esses exús-amparadores.
São eles que ajudam muito a proteção de diversos grupos
espiritualistas e nunca são reconhecidos pelos mesmos (muitos
grupos
estão mais preocupados combates com os agentes extrafísicos
patrocinadores e exploradores das trevas humanas que se
escondem aos
olhos dos homens, mas que são observadas por esses exús-amparadores.
São eles que ajudam muito a proteção de
diversos grupos
espiritualistas e nunca são reconhecidos pelos mesmos (muitos grupos
estão mais preocupados com a pureza
doutrinária do que com a verdade
que se apresenta e precisa ser evidenciada de forma universalista).
Nesse instante, enquanto escrevo essas linhas, sinto a presença do Pai
Joaquim de Aruanda, amparador preto- velho ligado às
vibrações da
Umbanda e que também já me ajudou em muitas projeções. É ele que está
patrocinando esse contato espiritual com os
exús amigos e permitindo a
manutenção das vibrações sadias que me
inspiram a escrever tudo isso.
Voltando ao relato com o qual iniciei esses escritos, os exús que
estavam do outro lado da fenda inter-dimensional me
passaram uns toques
espirituais importantes. Alguns deles são de cunho pessoal e
referem-se a um processo extrafísico pesado no
qual estão envolvidas
algumas pessoas que estou tentando ajudar. Porém, alguns dos toques
são de cunho geral e poderão ser úteis
para a reflexão de outras
pessoas que estudam a Espiritualidade.
Aliás, esse foi o motivo que me fez correr aqui para o computador e
escrever logo para não esquecer posteriormente. Vou
colocar por
tópicos para facilitar:
1. “Muitas pessoas que correm para os lugares espiritualistas em busca
de ajuda não merecem ser ajudadas. Não fazem nada para
melhorar, só
querem que alguém tire o peso de seus cangotes.”
2. “O ser humano é muito falso mesmo. Vai pedir ajuda espiritual como
se fosse um perseguido e injustiçado, mas nem conta dos
desejos cruéis
que carrega e que são a causa de sua desdita.”
3. “Os obsessores são tinhosos mesmo e perturbam muito, principalmente
se a pessoa lhes dá fartura de pensamentos ruins na
cachola e lhes dá
a guarida de suas energias.”
4. “Algumas porradas espirituais que as pessoas levam são bem
merecidas. Quem manda mexer com o que não deve? Quem enfia a
mão no
vespeiro quer ser ferroado. Depois não adianta reclamar!”
5. “As pessoas olham muito para os defeitos dos outros. Por isso não
tem tempo de enxergarem suas próprias mazelas. Mas os
obsessores
adoram vê-las, ao vivo e a cores, direto dentro delas mesmas, de
preferência acoplados juntos e fazendo a festa.”
6. “Quem trabalha direito e segue seu caminho com honra não precisa de
proteção espiritual. A luz de seus propósitos já lhe protege e
inspira. Porém, em alguma necessidade a mais, pode contar com a gente
mesmo. Nem precisa pedir. Quem é raçudo no rala-rala da
vida e ainda
pensa no bem dos outros merece ser tratado com o devido respeito.”
7. “Tem muita gente fazendo coisa braba para os outros. Problema
delas! Vão se ferrar, mais cedo ou mais tarde. Tudo o que elas
mandarem na intenção de alguém irá voltar para elas mesmas lá na
frente.”
8. “Quanto maior for à má intenção de alguém, maior será a chusma de
espíritos perversos agarrados em suas energias.”
9. “Tem muita gente rezando para acabar com alguém ou para conquistar
a força o que não merece. Ah, eles vão
se ferrar!!!”
10. “A maioria das pessoas não tem vergonha na cara. Rezam pouco,
pensam mal dos outros, estão cheias de medo e ainda deixam
a guarda
aberta por causa de seus rolos emocionais. Depois ainda ficam se
perguntando o porquê de tantas coisas ruins estourando
em suas vidas
pequenas e apagadas.”
11. “A grana que o pessoal paga em algum lugar para fazer coisa braba
para os outros poderia ser usada para ajudar os pobres.
Quem faz isso
merece as porradas espirituais que leva e os obsessores que arrasta em
sua companhia.”
12. “O dinheiro não é capaz de comprar uma noite de sono com a
consciência tranqüila. E é durante o sono que muita gente se ferra
no Astral. Tem espírito brabo doido para fungar em seus cangotes e sugar
suas energias. E tem gente que ainda acha que é
pesadelo.”
13. “Quem é justo tem a proteção que merece. Pode sair do corpo sem
susto. Está em casa e não tem o que temer. Pode voar por aí
e
aproveitar as horas de recreio espiritual. Os guias espirituais os
orientarão e os protegerão de qualquer coisa, desde que sejam
justos.”
14. “Muitos já nos chamaram de polícia do baixo astral ou de lixeiros
do Astral inferior. Pela parte que nos toca, muito obrigado. Mas
nós
somos mesmo é ajudantes de serviços gerais no Astral. Fazemos o que é
preciso e justo, sem passar dos limites que os Maiorais
da
Espiritualidade nos determinaram. Nenhum de nós é traíra! Somos o que
somos. Somos honrados e ninguém nos compra. E ai de
quem tentar nos
enrolar com promessas falsas ou intenções ruins.”
P.S.: Um deles ainda me disse o seguinte: “Se você vai escrever mesmo
o nosso recado, então vai fundo. Escreve tudo mesmo. Pode
esperar que
você será criticado por isso. Dane-se! Faz com honra e verdade e
dane-se o que os hipócritas de plantão pensam. Os
obsessores deles
que se entendam com eles. Se você faz o seu serviço com convicção e é
guiado pela Espiritualidade Superior, manda
ver! O seu coração sabe o
quanto de verdade que há nesse nosso papo. E tem muita gente que
entenderá o recado sim. E não é
aquela gente que se acha
espiritualizada não (se acham muito espertos, mas dançam feio em
muitas situações que só a galera do
Invisível é que vê). Quem
entenderá esse recado são as pessoas simples de coração e de mente. A
elas o nosso respeito.”
Nota: Enquanto finalizo esses escritos, também está presente um dos amparadores do grupo de Ramatís supervisionando tudo. Um
último
esclarecimento: Como elemento interdimensional consciente e que
percebe outros planos e seres espirituais, é minha tarefa
passar para
o plano físico muito do que vejo como forma de esclarecimento
espiritual universalista. Alguns entendem isso, outros não.
Não
importa. Não escrevo para agradar a doutrina ou o condicionamento de
ninguém mesmo. Só sei que apesar dos defeitos que
tenho, os propósitos
que movem meu trabalho são justos e que tento caminhar com honra na
tarefa que me foi designada pela
Espiritualidade. Agradeço muito ao
Grande Arquiteto do Universo pela oportunidade de viver na Terra e de
andar com a mente e o
coração abertos a tudo aquilo que seja positivo
e criativo na manifestação da vida. Na casa secreta do meu coração há
espaço para
todas as correntes de trabalho espiritual que fazem o bem
para a humanidade. Agradeço aqui de forma explícita a todos os
amparadores das egrégoras afro-brasileiras que sempre
deram uma grande força e proteção na tarefa espiritual e humana em que
estou envolvido. E também deixo aqui registrada toda a minha alegria
de trabalhar com a Espiritualidade, minha grande riqueza de
consciência e que nem a morte pode roubar-me, pois é estado de
consciência íntimo e intransferível.
WAGNER BORGES
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OBRIGADO, AMIGO EXU!
Marcone era homem de meia-idade e
de grande cultura geral, produto de uma educação esmerada em
colégios de qualidade
inequívoca, sob o alicerce fraternal de sua família. Além de
engenheiro, dedicava-se a estudar a doutrina espírita kardecista
com
empenho sem-igual, a fim de estar sempre preparado a orientar os
freqüentadores de um centro espírita, no qual exercia o cargo de
presidente e principal palestrante.
Lapidado em conceitos ortodoxos
que, ao invés de abrir-lhe os horizontes da Espiritualidade, mais
o faziam mergulhar em um
dogmatismo desenfreado, Marcone, durante as palestras que
ministrava, quando indagado sobre questões pertinentes à Umbanda,
utilizava-se quase sempre de expressões depreciativas, asseverando
que tal religião era constituída de espíritos e práticas
atrasados,
e que pouco ou nada contribuíam para auxiliar os doentes do corpo
e do espírito.
Sua vida transcorria normal, com a
habitualidade de sempre, alternando-se entre o trabalho, o
convívio social e as reuniões
espíritas.
Certa ocasião, Carlos, seu filho de
10 anos, foi acometido de estado febril, acompanhado de pequenas
convulsões. Preocupado,
buscou auxílio médico, sem, no entanto, lograr êxito. Análises
laboratoriais não apontavam qualquer tipo de infecção, bem como
nada havia sido detectado nos exames cardiológicos e neurológicos.
Não deixando a medicina
de lado, Marcone, como dirigente que era, passou a levar seu
filho às sessões espíritas, na
expectativa de que os amigos espirituais ajudassem na cura do bom
filho.
Em determinada sessão, durante a
leitura de nomes para irradiação, em cuja relação incluía-se o de
seu filho, presente ali e
muito debilitado, Marcone foi surpreendido pela incorporação de um
espírito em um médium integrante da mesa. Como na casa
espírita que dirigia não havia incorporações, mas tão somente
mensagens psicografadas e inspirações espirituais, o engenheiro
prontamente se aproximou do médium manifestado, reprimindo-o
energicamente por alterar a linha de trabalho do centro.
No momento em que Marcone
admoestava o médium em transe, o espírito que a este se acoplara,
apresentou-se, dando
boa noite aos presentes. Disse que fora enviado àquele recinto
para solucionar problema de ordem espiritual delicado que afligia
certa pessoa da assistência, direcionando seu olhar para o menino
Carlos. O dirigente, observando o comportamento diferente
daquela individualidade espiritual, num misto de insegurança e
arrogância, inquiriu o espírito sobre sua procedência e nome. O
amigo espiritual, fitando fixamente Marcone, disse-lhe que
realizava trabalhos em outra corrente religiosa, declinando seu
nome,
que aqui trataremos apenas como Exu "A".
Ante a identificação, o pai de
Carlos, tomado de profundo preconceito, ordenou àquele espírito
que reputava como sem-luz,
que se retirasse e procurasse a evolução que Marcone supunha que
ele, o espírito, necessitasse. Ante os apelos contundentes, o
espírito aceitou retirar-se, dizendo, antes de partir, que o
enfermo a curar carecia de cuidados urgentes, sob pena do quadro
tornar-se
irreversível.
Após a partida do espírito Exu "A",
o diretor Marcone criticou severamente o médium que tinha dado
campo de atuação
àquele espírito, exigindo maior atenção dali em diante.
Os dias passam e, apesar dos passes
e água fluidificada ministrados em Carlos, o garoto jazia num
permanente estado febril
e periódicas convulsões, acrescido agora de ostensiva anemia,
deixando-o num estado mental depressivo. Marcone já não sabia a
quem recorrer, pois experimentara até a desobsessão, sem resultado
algum.
Desesperado com a patologia de
Carlos, Marcone, numa atitude desesperada de pai, resolveu buscar
auxílio no primeiro lugar
que encontrasse, fosse o que fosse. Saiu a perambular pela rua,
entrando em quase todas as vias de seu bairro. Nada. Alcançou os
limites de outro bairro. Nada.
Já desanimado e sem ter com quem
contar, Marcone tomou o caminho do lar. Entrando em pequena viela
que lhe facilitaria
encurtar a distância, ao passar por uma pequena casa, ainda com
tijolos à mostra, o pai aflito identificou o som que parecia ser
de
tambores. Sob a inspiração de seus guias, perguntou a um senhor de
cabelos e vestimenta brancos que ali estava, o que funcionava
naquele local. Foi informado, então, que se tratava de um Templo
de Umbanda.
O engenheiro Marcone, constrangido,
explicou à pessoa parada no portão que tinha, na família, pessoa
que passava por sérios
problemas de saúde, necessitando atendimento. Respondeu-lhe o
humilde senhor que ele, Marcone, poderia trazer o doente, se
quisesse, ainda naquele dia, pois a sessão estava em seu início.
Marcone pôs-se em fuga alucinada
para a sua residência. Enrolou o filho em um lençol e, em
companhia de sua esposa, rumou
de carro para aquele endereço. Retornando à Casa Umbandista, foi
levado, juntamente com Carlos e Leila, sua mulher, ao salão de
trabalhos espirituais.
Incomodado com o barulho dos
instrumentos de percussão, porém esperançoso na cura de seu filho,
Marcone orou
incessantemente, pedindo auxílio diante da situação. Comandava as
atividades o Caboclo que aqui chamaremos apenas de "Z". A
certa altura da gira, esta entidade aproximou-se do casal e
disse-lhes que iria atendê-los após o encerramento dos trabalhos
que se
realizavam, momento em que direcionou um olhar de amor para
Carlos.
Duas horas se passaram até que a
Entidade-Chefe desse por terminado o trabalho, solicitando a seu
cambone que esvaziasse
o terreiro. Estando agora somente o Caboclo "Z", seu cambone,
Marcone e sua família, o espírito solicitou ao engenheiro que
levasse
Carlos para as dependências externas da Casa e o deitasse num
pequeno espaço de terra batida existente. Advertido pelo Caboclo
"Z"
de que o êxito dos trabalhos a realizar dependeria também de sua
fé e amor, Marcone, inquieto, via-se diante de situação que a
doutrina de Kardec jamais o elucidara. O Caboclo "Z" disse-lhe
ainda que o trabalho de cura ficaria a cargo de um outro amigo
espiritual, devido o problema presente estar diretamente ligado à
sua área de atuação.
Marcone, pensativo, limitava-se a
ouvir aquela entidade simplória, porém iluminada, dizendo-lhe esta
que se afastaria do
médium, mas estaria presente, auxiliando no que fosse necessário.
Ato contínuo, o médium do Caboclo-Chefe foi tomado por uma
outra entidade espiritual, que passou a cumprimentar os presentes.
Marcone, sob forte vibração, notou que conhecia aquele olhar fixo.
O tom de voz (psicofonia) não lhe era estranho. Não ousou
questionar o espírito, que, de forma vigorosa, dava instruções ao
cambone
sobre como proceder.
Após os preparativos, o amigo
espiritual expôs resumidamente a Marcone que o pequeno Carlos
achava-se em processo de
obsessão, infligido por alguns desafetos do passado, e que o caso
solicitava o concurso de medidas extremas para tal dissipação.
Marcone encorajado a esclarecer-se sobre o fato, afirmou ao
espírito que era dirigente de um centro kardecista e que lá havia
sessões
de desobsessão, consultando-o sobre a possibilidade do drama de
seu filho lá ser resolvido. O companheiro de Aruanda explicou-lhe
que, devido ao atual estágio obsessivo de Carlos, a doutrinação
dos desencarnados que o assediavam só surtiria efeito após a
realização daquele trabalho.
Feitos os preparativos, a entidade
atuante ordenou ao cambone que fizesse, na terra, um círculo que
envolvesse Carlos e que
colocasse, sobre seu traçado, material de grande fundamento dentro
da Umbanda. Orientou os presentes para que guardassem
distância e que orassem de olhos fechados. Estando todos a postos,
a entidade que capitaneava o ritual ordenou ao cambone que
"puxasse" uma curimba de atração e condensação de forças
positivas, repetindo-a por três vezes. Depois foi cantado um ponto
de
ação repulsora, momento em que o amigo do astral superior acionou
a ignição do material no círculo mágico depositado.
Grande deslocamento de ar ocorreu,
ao mesmo tempo em que se expandiam partículas de alto poder de
corrosão. Ato
contínuo, Carlos, então em estado torpe, foi acometido de grande
agitação, que durou segundos, voltando depois ao estado de
inércia inicial. Imediatamente, o espírito que comandava os
trabalhos ordenou aos guardiões auxiliares que imobilizassem os
obsessores (eram dois), e os encaminhassem à detenção astral, até
segunda ordem.
Marcone, assustado com o cenário
que até então desconhecia, notou, com velada satisfação, que
Carlos abrira os olhos com
brilho há muito não visto. Levantando-se do chão ainda debilitado
pelo vampirismo dos obsessores, perguntou ao pai que lugar era
aquele e o que tinha acontecido. Aproximando-se da família, o
espírito benfeitor expôs que o perigo passara e que, embora
naquele
local se efetuassem trabalhos de doutrinação, ele, Marcone,
mediante ordens superiores, poderia ministrar o devido
esclarecimento
àqueles espíritos detidos, em sua casa espírita.
Visível felicidade cobria a face de
Marcone e Leila, que observavam substancial melhora do filho.
Distraindo-se em afagar
Carlos, Marcone não percebeu que o espírito trabalhador já se
afastara do médium. Não teve a oportunidade de agradecer e nem
saber seu nome.
Perguntou ao dirigente daquele
Núcleo Umbandista sobre quem era aquele espírito, no que foi
respondido, em tom fraternal,
o que importava naquele momento, era o bem-estar de Carlos.
Os dias correram e, com eles, a
febre alta, a anemia e as convulsões. Carlos, o filho querido, já
tinha vida normal e sequer
demonstrava resíduos da patologia espiritual que o afligira.
Marcone solicitou aos espíritos superiores que lhe dessem a
oportunidade
de receber em sua casa espírita aquelas entidades que outrora
obsediavam seu filho. Foi atendido, fazendo valoroso trabalho de
conscientização e regeneração junto aos ex-obsessores.
Durante uma sessão de estudos, em
que todos os presentes se voltavam a esmiuçar as obras kardecistas,
uma suave briza de
fragrância agradável fez vibrar positivamente todo o ambiente.
Marcone então teve suas atenções voltadas para um médium da mesa,
cuja fisionomia denotava profunda mudança. O médium, agora
incorporado por um espírito, saldou a todos, conclamando-os a
seguirem os ensinos de Jesus.
O dirigente Marcone, sob forte
emoção, identificou de pronto aquela entidade. Sabia agora que era
a mesma que se
manifestara pela primeira vez naquele recinto para ajudar Carlos,
e que fora injustamente convidada a se retirar. Tinha consciência
também que era o mesmo espírito que havia curado seu filho no
Templo Umbandista.
Num incontido choro, aproximou-se
daquele espírito pedindo perdão pelo preconceito e discriminação
que o fizera passar.
A entidade espiritual Exu "A"
envolveu Marcone em cristalinas ondas de luz, pedindo mais
compreensão e menos radicalismo.
Proferiu, ao dirigente espírita palavras de conforto e entusiasmo
para as atividades espirituais. O engenheiro Marcone, percebendo
que a entidade espiritual já se despedia dos presentes, num gesto
de humildade e simplicidade, virtudes que permeiam os
grandes de coração, fraternalmente disse ao espírito do Bem:
"Obrigado, amigo Exu!" Um Exu de Lei e verdade...
(Autor Desconhecido) - do Portal Guardiões da Luz
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DUAS
LENDAS DE EXU
1
Exu é o mais sutil e o mais astuto de
todos os orixás. Ele aproveita-se de suas qualidades para provocar
mal-entendidos e
discussões entre as pessoas ou para preparar-lhes
armadilhas. Ele pode fazer coisas extraordinárias como, por exemplo,
carregar,
numa peneira, o óleo que comprou no mercado, sem que este
óleo se derrame deste estranho recipiente! Exu pode ter matado um
pássaro ontem, com uma pedra que jogou hoje! Se zanga-se, ele sapateia
uma pedra na floresta, e esta pedra põe-se a sangrar! Sua
cabeça é
pontuda e afiada como a lâmina de uma faca. Ele nada pode transportar
sobre ela.
Exu pode também ser muito malvado, se as pessoas se esquecem de
homenageá-lo. É necessário, pois, fazer sempre
oferendas a Exu, antes
de qualquer outro orixá. A segunda-feira é o dia da semana que lhe é
consagrado. É bom fazer-lhe oferendas
neste dia, de farofa, azeite de
dendê, cachaça e um galo preto. Certa vez, dois amigos de infância,
que jamais discutiam,
esqueceram-se, numa segunda-feira, de fazer-lhe
as oferendas devidas.
Foram para o campo trabalhar, cada um na sua roça. As terras eram
vizinhas, separadas
apenas por um estreito canteiro. Exu,
zangado pela negligência dos
dois amigos, decidiu preparar-lhe um golpe à sua maneira. Ele colocou
sobre a cabeça um boné pontudo
que era
branco do lado direito e vermelho do
lado esquerdo. Depois, seguiu o canteiro, chegando à
altura dos dois trabalhadores
amigos
e, muito educadamente, cumprimentou-os:
“Bom trabalho, meus amigos!” Estes, gentilmente, responderam-lhe: “bom
passeio, nobre estrangeiro!” Assim que Exu
afastou-se, o homem que
trabalhava no campo à direita, falou
para o seu companheiro: “Quem pode ser este personagem de boné
branco?” Disse o primeiro. “Seu chapéu era vermelho!” Respondeu o
homem de campo à esquerda. “Não, ele era branco, de um
branco de
alabastro, o mais belo branco que existe!” Insistiu o primeiro.
"Não, Ele era vermelho, um vermelho escarlate, de fulgor
insustentável!” Insistiu o outro. “Não e não, ele era branco,
trata-me de mentiroso?” disse, novamente o primeiro. “Ele era
vermelho,
ou pensas que sou cego?" disse mais uma vez seu
companheiro.
Cada um dos amigos tinha razão e estava furioso da desconfiança de
outro. Irritados, eles agarraram-se e começaram a
bater-se até
matarem-se a golpe de enxada. Exu estava vingado! Isto não teria
acontecido se as oferendas a Exu não tivessem sido
negligenciadas.
Pois Exu pode ser o mais benevolente dos orixás se é tratado com
consideração e generosidade. Há uma maneira
hábil de obter um favor
de Exu. É preparar-lhe um golpe mais astuto que aquele que ele mesmo
prepara.
2
Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca. Seus
campos estavam áridos, a chuva não caía. As rãs
choravam de tanta
sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas , caídas das
árvores. Nenhum orixá invocado escutou suas
queixas e gemidos. Aluman decidiu, então, oferecer a Exu grandes pedaços de carne de
bode. Exu comeu com apetite desta
excelente oferenda. Só que Aluman
havia temperado a carne com molho muito apimentado. Exu teve sede.
Uma sede tão grande
que toda a água de todas as jarras que ele tinha
em casa, e que tinham, em suas casas, os vizinhos, não foi suficiente
para matar
sua sede! Exu foi à torneira da chuva e abri-a sem pena. A
chuva caiu. Ela caiu de dia, ela caiu de noite. Ela caiu no dia
seguinte e
no dia depois, sem parar.
Os campos de Aluman tornaram-se verdes. Todos os vizinhos de Aluman
cantaram sua gloria: “Joro, jará, joro Aluman, Dono
dos dendezeiros,
cujos cachos são abundantes! Joro, jará, joro Aluman, Dono dos campos
de milho, cujas espigas são pesadas! Joro,
jará, joro, Aluman, Dono
dos campos de feijão, inhame e mandioca! Joro, jará, joro Aluman!” E
as rãzinhas gargarejavam e coaxavam,
e o rio corria velozmente para
não transbordar! Aluman, reconhecido, ofereceu a Exu carne de bode com
o tempero no ponto certo da
pimenta. Havia chovido bastante. Mais
seria desastroso! Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.
LENDAS AFRICANAS DOS ORIXÁS
- DE PIERRE FATUMBI VERGER - TRADUÇÃO: MARIA APARECIDA NÓBREGA -
EDITORA: CORRUPIO
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MARIA
MULAMBO DA ESTRADA - A DEUSA ENCANTADA
Sua lenda diz que Maria Mulambo nasceu em berço de
ouro, cercada de luxo. Seus pais não eram reis, mas faziam parte
da
corte no pequeno reinado. Maria cresceu sempre bonita e
delicada. Com seus trejeitos, sempre foi chamada de princesinha,
mas não
o era. Aos 15 anos, foi pedida em casamento pelo rei, para
casar-se com seu filho de 40 anos.
Foi um casamento sem amor, apenas para que as
famílias se unissem e a fortuna aumentasse. Os anos se passavam e
Maria não engravidava. O reino precisava de um outro sucessor ao
trono.
Maria amargava a dor,
além de manter um casamento sem
amor, ser chamada de árvore que não dá frutos; e nesta época, toda
mulher que não tinha filhos era tida como amaldiçoada.
Paralelamente a isso tudo, a nossa Maria era uma
mulher que praticava a caridade, indo ela mesma aos povoados
pobres do
reino, ajudar aos doentes e necessitados. Nessas suas idas
aos locais mais pobres, conheceu um jovem, apenas dois anos mais
velho que ela, que havia ficado viúvo e tinha três filhos
pequenos, dos quais cuidava como todo amor. Foi amor à primeira
vista, de
ambas as partes, só que nenhum dos dois tinha coragem de aceitar
esse amor. O rei morreu, o príncipe foi coroado e Maria
declarada
rainha daquele pequeno país.
O povo adorava Maria, mas alguns a viam com olhar
de inveja e criticavam Maria por não poder engravidar. No
dia da coroação
os pobres súditos não tinham o que oferecer a Maria, que era tão
bondosa com eles. Então fizeram um tapete de flores para que
Maria passasse por cima. A nossa Maria se emocionou; seu
marido, o rei, morreu de inveja e ao chegar ao castelo
trancou Maria no
quarto e deu-lhe a primeira das inúmeras surras que ele lhe
aplicaria. Bastava ele beber um pouquinho e Maria sofria com suas
agressões verbais, tapas, socos e pontapés. Mesmo machucada,
nossa Maria não parou de ir aos povoados pobres praticar a
caridade.
Num destes dias, o amado de Maria, ao vê-la com tantas marcas,
resolveu declarar seu amor e propôs que fugissem, para viverem
realmente seu grande amor. Combinaram tudo. Os pais do rapaz
tomariam conta de seus filhos até que a situação se acalmasse e
ele
pudesse reconstruir a família. Maria fugiu com seu amor apenas com
a roupa do corpo, deixando ouro e jóias para trás.
O rei no princípio mandou procurá-la, mas, como não
a encontrou, desistiu. Maria agora não se vestia com luxo e
riquezas,
agora vestia roupas humildes que, de tão surradas, pareciam
mulambos; só que ela era feliz. E engravidou. A notícia
correu todo o
país e chegou aos ouvidos do rei. O rei se desesperou em saber que
ele é que era uma árvore que não dá frutos. A loucura tomou
conta dele ao saber que era estéril e, como rei, ele achava que
isso não podia acontecer. Ele tinha que limpar seu nome e sua
honra.
Mandou seus guardas prenderem Maria, que de rainha passou a ser
chamada de Maria Mulambo, não como deboche mas, sim, pelo
fato de ela agora pertencer ao povo. Ordenou aos guardas que
amarrassem duas pedras aos pés de Maria e que a jogassem na parte
mais funda do rio. O povo não soube, somente os guardas; só que 7
dias após esse crime, às margens do rio, no local onde Maria foi
morta, começaram a nascer flores que nunca ali haviam nascido. os
peixes do rio somente eram pescados naquele local, onde só
faltavam pular fora d'água. Seu amado desconfiou e mergulhou no
rio, procurando o corpo de Maria; e o encontrou.
Mesmo depois de estar tantos dias mergulhado na água, o corpo
estava intacto; parecia que ia voltar à vida. os mulambos com
que Maria foi jogada ao rio sumiram. Sua roupa era de
rainha. Jóias cobriam seu corpo. Velaram seu corpo inerte e,
como era de
costume, fizeram uma cerimônia digna de uma rainha e cremaram seu
corpo. O rei enlouqueceu. Seu amado nunca mais se casou,
cultuando-a por toda a vida, à espera de poder encontrá-la de
novo. À espera de poder reencontrar sua Maria. No dia em que
ele
morreu e reencontrou Maria, o céu se fez do azul mais límpido e
teve início a primavera.
Assim a nossa Maria, que agora era a rainha Maria Mulambo, virou
lenda; e até hoje é invocada para proteção dos amores
impossíveis.
MAIS UM PEDACINHO DE MULAMBO
PARA VOCÊ ...!!!
COMO MULAMBO É ...
D. Maria Mulambo
mostra-se quase sempre bonita, feminina, amável, elegante,
sedutora. Ela gosta das bebidas suaves como
vinhos doces, licores, cidra, champanhe, anis, etc. E gosta dos
cigarros e cigarrilhas de boa qualidade, assim como também lhe
atrai o
luxo, o brilho e o destaque. Usa sempre muitos colares, anéis,
brincos, pulseiras, etc. Exus e pombagiras dessa linha
(estrada) são os
mais Brincalhões. Suas consultas são sempre recheadas de boas
gargalhadas, porém é bom lembrar que como em qualquer consulta
com um guia incorporado, o respeito deve ser mantido e sendo assim
estas brincadeiras devem partir SEMPRE do guia e nunca do
consulente.
São os guias que
mais dão consultas em uma gira de Exu, se movimentam muito e
também falam bastante, alguns chegam a
dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo. Nesta linha
trabalham vários espíritos, desde os Exus da estrada propriamente
dita,
como também os Cíganos e a malandragem. Também se encaixam nesta
linha alguns espíritos, que apesar de já terem atingido um
certo grau de evolução, optaram por continuar sua jornada
espiritual trabalhando como Exus .
A linha
de Exus, é outra linha independente, assim como Ibeji, engloba-se
no plano número 1 da Umbanda, através do
qual tem-se acesso aos planos positivos, por mérito e evolução,
conseguidos através do trabalho de sapa.
Exú é a
Polícia de Choque da Umbanda, é quem cobra na hora e também é quem
tem maior ligação com os seres
encarnados. Existem três tipos de Exu, à saber:
EXU
PAGÃO: é aquele que não sabe
distinguir o Bem do Mal, trabalha para quem pagar mais. Não é
confiável, pois se
pego, é castigado pelas falanges do Bem, então volta-se contra quem o
mandou.
EXU
BATIZADO: é todo aquele que já
conhece o Bem e o Mal, praticando os dois conscientemente; são os
capangueiros ou empregados das entidades, à cujo serviço evoluem na
prática do bem, porém conservando suas forças de
cobrança.
EXU
COROADO: é aquele que após
grande evolução como empregado das Entidades do Bem, recebem por
mérito,
a permissão de se apresentarem como elementos das linhas positivas,
Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Oguns, Xangôs e
até como Senhoras.
Elemento e força da natureza: fogo.
Dia da
semana: segunda-feira.
Chakra
atuante: básico ou sacro.
Planeta
regente: Saturno e Plutão.
Nota
musical: dó.
Cor
vibratória: vermelho (totalmente), variando a tonalidade de acordo com
sua evolução.
Cor
representativa: vermelho e preto, branco e preto, preto e amarelo
(vide nota especial no final do capítulo *).
Cor do
colar (guia): vermelho e preto, branco e preto, preto e amarelo, como
acima.
Saudação:
Aruê-Exu, Arô-Exu ou Laroiê-Exu.
Negativo:
Quiumbas.
Amalá:
carne de porco ou de boi crua, cabrito, galinha preta, farofa com
azeite de dendê, pimenta da costa, pipoca sem
sal e sem açúcar, banana
d'água.
Otí:
cachaça para os machos e champanhe ou anis para as fêmeas.
Local de
entregas: encruzilhadas, cemitérios, praias, lodo, pedreiras, etc.
Encruzilhadas abertas: para todos Exus (indistintamente)
Encruzilhadas fechadas: para todos os Exus (indistintamente)
Porteira
de Curral: Exu das Sete Porteiras
Encruzilhadas Mistas: Exus mirins, etc...
Encruzilhadas em "S" ou curvas: Exu Tira-teima
Encruzilhadas em pé de galinha: Dona Pomba-gira
Encruzilhadas de estrada de ferro: Dona Maria Padilha
Encruzilhadas de caminho do mato: Dona Maria Molambo
NOTA: Nas curvas em S
nunca se caminha pelo lado do ângulo da curva. Nunca se deve
atravessar as encruzilhadas
em diagonal,
principalmente as de dentro do cemitério. Ao utilizar-se uma porteira
de curral, entra-se pelo lado direito
e sai-se pelo esquerdo.
Nota
especial da cor representativa e dos colares (guias) *
Vermelho
e preto: para todos os EXUS de encruzilhadas.
Preto e
branco: Para todos EXUS com chefia, independente do local a que
pertença.
Preto e
amarelo: Exclusivas para os EXUS da Calunga Pequena (cemitério).
Autor: Rodrigo Romo
Fonte:
http://www.shtareer.com.br/
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